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DOENÇA MISTERIOSA: Infectologista professor da FASEH alerta sobre boatos e explica investigação

1 paciente morreu e outros  6 estão internados com sintomas de insuficiência renal e neurológicos, com paralisia e cegueira

Dr. Carlos Starling: infectologista prof. da Faseh fala sobre boatos e investigação da doença

“Temos que ter pessoal qualificado e treinado para isso, sistema de informação bem estruturado, veloz, laboratórios de referência com alta capacidade resolutiva e colaboração internacional, eventualmente”. Assim, o infectologista e professor da Faseh, Carlos Starling, define o trabalho de investigação para descobrir o que causou a doença misteriosa que levou à internação de 7 pessoas, com uma morte, em  Minas.

Todos os pacientes são homens, entre 23 e 76 anos, ligados ao bairro Buritis em BH, de alguma forma. 5 estão em hospitais da capital, 1 está em Nova Lima e outro é morador de Ubá. Ele esteve em Belo Horizonte,  no fim do ano e morreu em Juiz de fora.  Os sintomas foram os mesmos, iniciando com náusea, vômito e diarréia e evoluindo para insuficiência renal, em até 72 horas, e alterações neurológicas como paralisia e cegueira.

Boatos e pânico

Informações sobre os casos, divulgadas em redes sociais, nos últimos dias, causaram pânico na população. Familiares de de pacientes (inclusive o que morreu em Juiz de Fora), a princípio, sugeriram que teria sido a cerveja consumida em um churrasco, dias antes do Natal.

Para Starling, é preciso cautela e bom senso em casos assim. “Tem que ter um processo de comunicação claro, usando canais oficiais, evitando informação de internet. Aí, se destaca o papel fundamental da imprensa. É preciso que os órgãos de governo entrem em contato com veículos de comunicação profissionais que têm filtro e responsabilidade para repassar a informação correta para o público”.

Investigação ágil e comunicação responsável

O médico alerta: “Perigoso é o imediatismo. As pessoas têm esta tendência de apontar causas, antecipadamente, e o que parece,  muitas vezes, não é verdadeiro. A apuração dos casos tem que ser regida por princípios científicos, com profissionais excelentes que temos  e laboratórios de referência para suporte a esta investigação.

Porém, para o especialista, é preciso agilidade na determinação da origem da doença misteriosa.”O processo de coleta de dados é detalhado e levanta quem foi exposto, quem não foi, o que consumiram. Isso permite a análise estatística, epidemiológica, para formulação de hipóteses, evitando especulações.  A investigação tem uma sistematização científica conhecida por experts. O Estado precisa ser ágil, nestas horas, ter pessoal suficiente e qualificado para ir atrás deste levantamento, coletar material e enviar, rapidamente, para laboratórios. Eles irão analisar e identificar a presença de microorganismos associados a estes sintomas, como bactérias em infecções, agentes de arboviroses, ou a presença de substâncias químicas que tenham causado intoxicação. Este trabalho é feito pela Vigilância epidemiológica municipal e estadual que, se preciso, pode pedir apoio a institutos de pesquisa internacionais. Há laboratórios altamente equipados, com tecnologia de ponta,  capazes de fazer exames em poucos minutos, com técnicas de biologia molecular que são necessárias em casos complexos assim”.

Faseh desenvolve pesquisas sobre arboviroses e doenças emergentes e reemergentes

Todos os anos, pesquisadores de universidades norte-americanas parceiras da Faseh vêm a RMBH para pesquisas sobre Saúde Global e Doenças Emergentes e Reemergentes.

Em março de 2019, Michael Maurer (University of Miami), Jessica Fairley (Emory University), Juan Leon (Emory University), Desiree Labeaud (Stanford University) e Aleksandyr Lavery (Kaiser Permanente) foram os convidados para a comemoração dos 10 anos do programa de internacionalização da Faseh e participaram do II Simpósio Internacional de Saúde Global e Doenças Emergentes e Reemergentes.

Pesquisadores norte-americanos participam de pesquisas sobre saúde global em Minas
Pesquisadores norte-americanos e diretores da Faseh, nos 10 anos de parceria internacional

 

Desiree Lebeaud explica que “doença emergente” é o surgimento ou a identificação de um novo problema de saúde ou um novo agente infeccioso como, por exemplo, a febre hemorrágica pelo vírus Ebola, a AIDS, a hepatite C. Já as “doenças reemergentes” indicam mudança no comportamento epidemiológico de males já conhecidos, que haviam sido controlados, mas que voltaram a representar ameaça à saúde humana, como  dengue, chikungunya e febre amarela no Brasil.

Faseh desenvolve pesquisas sobre arboviroses e doenças emergentes e reemergentes
Dra. Desiree Labeoud da Escola de Medicina da Stanford University, em simpósio da Faseh

“Há muitas razões para a reemergência,  como o fato de estarmos em um mundo cada vez menor, mais urbano e concentrado. Também há mudanças nos habitats dos mosquitos, facilitando o crescimento e as infecções. Mudanças climáticas, inundações ajudam nesta proliferação”, explica a médica. Por isso, os pesquisadores visitantes quiseram ir ao local da tragédia causada pela mineradora Vale, em janeiro do ano passado.

Quando acontecem catástrofes, como as de Mariana e Brumadinho, capazes de promover mudanças no ecossistema, segundo os pesquisadores, existe um desequilíbrio na convivência entre vetores e seus predadores e habitats, o que pode levar ao aumento das infecções. “Os acidentes também costumam obrigar o deslocamento de pessoas para áreas de convivência mais propícias à presença de agentes patogênicos com os quais não tinham contato”, explica Labeaud.

Saúde Global

Outro tema em destaque é a chamada Saúde Global, uma nova disciplina que visa a melhoria de vida das populações e a luta pela equidade na saúde em nível mundial. É um campo que combina investigação e intervenção e onde várias disciplinas atuam para descrever e analisar os determinantes da saúde e a distribuição das doenças, como demografia, epidemiologia médica, políticas de saúde pública, medicina clínica, economia da saúde e antropologia médica. Daí, a importância de pesquisadores desta área atuarem em casos como o da doença misteriosa.

“Pode ser o caso de doenças que surgem no Brasil e se espalham para outros lugares por causa do deslocamento de pessoas ou as doenças de outros países que vêm para o Brasil”, explica Dr. Juan Leon. “O que importa são as fronteiras transnacionais e a multi/disciplinaridade para combinar os campos do conhecimento para que haja equidade no acesso às questões relacionadas à saúde.”

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